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Mergulhar com tubarões nos Açores

"Tum-tuntum-tuntum-tuntum". A inesquecível música de John Williams popularizada em Jaws - Tubarão, o primeiro block-buster de Spielberg, vem-nos imediatamente à cabeça quando pensamos em tubarões - mas esta galeria de imagens da criatura, nos mares dos Açores, não parece remeter para essa mesma espécie de bichos que vivem para matar, umas máquinas comedoras sem cérebro, como anunciava o início do filme.

Naqueles mares, mergulhar com tubarões é a nova aposta do turismo: o arquipélago é o único destino da Europa, e dos poucos no mundo, onde é possível fazê-lo com sucesso - e estar lado a lado com estes tubarões azuis, que os açorianos batizaram de tintureiras.

"É uma espécie pequena e muito curiosa, sem registo, em todo o mundo, de ataques graves a mergulhadores", sublinha o fotógrafo, sobre aquele que considera o tubarão mais bonito dos oceanos. Comum nos bancos submarinos ao largo do Faial e um dos bichos marinhos mais rápidos caracteriza-se pelo corpo longo e esguio, em forma de torpedo. O nome deriva da coloração invulgar: um dorso com pigmentação azul escura e um ventre esbranquiçado, numa espécie de mimetismo do oceano.

Com tamanho médio de 2,5 m e 70 kg, pode atingir os 4 metros e os 240 quilos. É também uma das espécies mais comercializadas - e, apesar de possuir um estatuto de conservação considerado de pequeno risco, protagonizou uma recente disputa na região, entre pescadores e ambientalistas, levando o governo regional a comprometer-se a estudar o assunto. "A sua pesca não é muito lucrativa. O potencial turístico é muito maior", defende Nuno Sá, para depois frisar: "Só este ano, vêm 6 mil pessoas para mergulhar com tubarões."

Nuno Sá - O autor destas fotografias, de 35 anos, é fotógrafo profissional desde 2004 e especialista em vida selvagem em ambiente marinho Coautor do Guia de Mergulho dos Açores e colaborador regular de várias revistas, entre elas a National Geographic Portugal. Várias distinções em concursos internacionais de fotografia de natureza: no final de 2011, venceu a principal categoria do Epson World Shootout, um dos maiores concursos de fotografia subaquática do Mundo e foi ainda distinguido na categoria Underwater World, do prémio Veolia Wildlife Photographer of the Year 2011, o maior concurso de fotografia de natureza a nível mundial, com a imagem do tubarão azul que aparece na página seguinte, em baixo, à direita. Autor da exposição Oásis, instalada junto ao largo do Oceanário, em Lisboa, até 19 de agosto. Segue depois para São Miguel e para o Faial.

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