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Quatro portugueses morreram no naufrágio do Titanic

Quatro portugueses morreram no naufrágio do Titanic . José Neto Jardim, de 21 anos, recordado à Notícias Magazine por duas netas; Manuel Gonçalves Estanislau, de 38; e Domingos Fernandes Coelho, de 20, eram emigrantes madeirenses e viajavam em terceira classe. José Joaquim de Brito, de 32 anos, era mais abonado: ia em segunda.

Maria de Sousa Carreira Jardim estava a bordar uma toalha grande com outras mulheres à soleira da porta de sua casa, no Lombo do Salão, a curta distância da Calheta, na ilha da Madeira, quando uma lapa caiu do céu em cima da agulha e lhe interrompeu o trabalho. Espantadas, as outras bordadeiras ainda disseram que podia ter caído das patas de uma gaivota. Mas Maria ficou perturbada. Estava-se em 1912, o marido, José, embarcara semanas antes para Inglaterra, com a intenção de emigrar para a América, deixando-a com 20 anos e uma bebé de 9 meses nos braços: Maria, como a mãe. Esta história é contada hoje, cem anos depois, por Maria, a terceira da família, a neta. A lapa de mau agoiro que caiu na agulha da avó bordadeira. «A minha avó recebeu um sinal da morte do marido.»

A vida estava cada vez mais difícil e já não chegavam bem sequer os bordados da Madeira, muito apreciados e que Maria Jardim costumava bordar com outras mulheres da aldeia, para vender ou guardá-los para o enxoval da filha. Naquele dia, em finais de abril de 1912, não lhe saía da cabeça o marido emigrante e teve um mau pressentimento. José Neto Jardim, de 21 anos, trabalhara desde pequeno na Calheta, como operário agrícola, camponês sem terra. Aguentou até casar com Maria mas, quando a bebé nasceu, decidiu arrancar mulher e filha à pobreza. Para isso só havia uma solução: José foi um dos 88 929 portugueses que emigraram em 1912. Tirou o passaporte (n.º 411) no Governo Civil do Funchal, no dia 11 de março daquele ano, mobilizou poupanças e apanhou o paquete da Mala Real Britânica para Inglaterra.

Quatro horas depois do mau presságio com a lapa que caiu em cima da agulha de bordar, Maria recebeu a visita do regedor da freguesia. Cabisbaixo, o representante da autoridade entregou-lhe um telegrama. José fora uma das mais de 1500 vítimas do naufrágio do Titanic , na noite de 14 para 15 de abril de 1912.

Há um mês, quando andava a arrumar «umas coisas antigas», pertences da mãe, na velha casa da família, na freguesia madeirense da Calheta, Maria Jardim Figueira, de 82 anos, encontrou, dentro de uma caixa de cartão enfiada no fundo de uma gaveta, uma moeda de 200 réis. Os pormenores das diferenças entre escudos, réis e mil réis esbatem-se no tempo. Maria Jardim Figueira está convencida de que se trata de metade da indemnização paga pela companhia de seguros International Mercantile Marine Co. à sua avó, Maria de Sousa Carreira, e à sua mãe, Maria Neto Jardim, pela morte do avô, José Neto Jardim, no naufrágio do Titanic .

«No meio de umas notas velhas de escudos e de muita tralha, vi aquela moeda grande e não queria acreditar no que tinha nas mãos. Eu sabia que tinham recebido 400 réis de indemnização, 200 para a minha mãe e 200 para a minha avó. A minha avó gastou o dinheiro mas a minha mãe não! Porque é que a minha mãe, que sempre viveu com dificuldades, nunca usou aquele dinheiro? Lá teria as suas razões, ou então esqueceu-se. Não sei...», recorda, ainda com emoção.

Meses depois, concluídas as burocracias dos seguros, Maria de Sousa Carreira Jardim e a pequena Maria Neto Jardim receberam a indemnização pela morte do marido e do pai. Segundo a Encyclopedia Titanica (uma das fontes mais exaustivas sobre o naufrágio, com fichas individuais de cada uma das vítimas), o valor pago pela morte de José Neto Jardim foi de 400 escudos - 200 escudos para cada uma das herdeiras -, o equivalente a 7000 euros na moeda atual (um escudo da época valeria hoje 17,50 euros, de acordo com a exposição O Escudo, a Nova Unidade Monetária da Rep ública, que esteve patente na Casa da Moeda, em Lisboa, entre maio e julho do ano passado). Desde maio de 1911, menos de um ano antes do desastre do Titanic , que Portugal tinha uma nova moeda, o escudo, em substituição do real do tempo da monarquia. Um escudo valia mil reais ou, como então se dizia, mil réis.

Desde a morte da mãe, Maria Neto Jardim, em 1995, que Maria Jardim Figueira se tornou a guardiã da história da família. As fotografias antigas são a memória palpável que uma lucidez impressionante não deixa apagar. «Desde pequena que conheço tudo o que tem que ver com o meu avô José. Sendo eu a mais velha, a minha mãe sempre me falou disso. Nós rezávamos todas as noites pelo avô que tinha morrido no alto-mar», recorda.

A irmã mais nova, Ângela Jardim Figueira, de 72 anos, confirma: «Ela sabe tudo. Lembra-se de tudo. De início, as minhas filhas não acreditavam. Só em 2007, depois de ter saído a lista dos passageiros do Titanic , perceberam que era verdade quando viram o nome do bisavô escrito nos livros antigos. Agora guardam tudo o que tenha que ver com o Titanic .» As filhas, que vivem na África do Sul, em Bonnievale, na Cidade do Cabo - perseguiram a sina emigrante dos madeirenses em geral e desta família em particular -, já contam a história aos filhos. E é bom ter histórias para contar. Henriqueta, a irmã do meio, de 75 anos, também mora na África do Sul. Só Maria, a mais velha, não emigrou. «Ainda hoje rezo por ele e peço-lhe que me guarde», diz Ângela.

José teria mais ou menos a mesma idade do protagonista do filme Titanic realizado por James Cameron, Jack Dawson, interpretado por Leonardo DiCaprio, e que Maria e Ângela se recusaram a ver. Provavelmente, morreu encurralado num dos camarotes, corredores ou salões da terceira classe do navio, com o cupão do bilhete n.º 3101305 ainda enfiado na algibeira, levando com ele a promessa de mandar buscar a família logo que a sorte lhe batesse à porta, através de uma «carta de chamada», tal como o cunhado imigrado em terras da Califórnia acabara de fazer com ele.

Durante décadas, José foi apenas um número entre muitos, sem direito a notícia. Nos jornais da época não há qualquer referência aos portugueses mortos no desastre, apesar das muitas páginas publicadas sobre o naufrágio e a chegada dos sobreviventes a Nova Iorque. O Diário de Notícias da Madeira refere, na edição de 23 de abril de 1912, que «por telegrama particular recebido ontem nesta cidade (Funchal) sabe-se que o senhor Spedden, esposa e filho, que têm visitado várias vezes a Madeira, faziam parte dos passageiros do transatlântico Titanic que acaba de naufragar». E congratula-se: «A ilustre família Spedden, que goza de elevadas simpatias na Madeira, pertence ao número de náufragos salvos pelo vapor inglês Carpathia , assim como uma criada ao seu serviço.»

Só em abril de 2007, aquando da divulgação da lista de passageiros pelo site www.findmypast.com, é que José Neto Jardim foi, finalmente, notícia. Os repórteres contaram a sua história. Falou-se da sua única filha, Maria, de 9 meses, que cresceu e casou também muito cedo, tendo nove filhos. Que quatro deles tinham morrido pequenos e que dos sobreviventes restam três filhas, hoje guardiãs da memória do avô que «morreu no alto-mar». Da avó, sabem que se casou uma segunda vez. Dessa união nasceram cinco filhos. A família emigrou para o Brasil em 1948 ou 1949.

«Penso que ela não queria casar outra vez, até porque a primeira filha, a minha avó, ficou na Calheta. Mas foi um amparo. A vida era muito dura», conta Maria Jardim Figueira. As fotografias, amarelecidas, continuam bem guardadas, como aquela que um dia foi tirada de propósito para mandar a José - e que nunca foi enviada porque ele morreu no Titanic . Tiraram o retrato Maria de Sousa Carreira e a pequenina Maria Neto Jardim, ao lado de uma tia cujo nome se perdeu, porque já ninguém se lembra. Afinal, o tempo passa.

Mas José não foi o único português que morreu no Titanic . Com ele, naquela viagem, seguiram outros dois madeirenses: Manuel Gonçalves Estanislau, de 38 anos, também da Calheta, que deixou para trás mulher e cinco filhos, e Domingos Fernandes Coelho, de 20 anos, solteiro, da Madalena do Mar. Em Southampton, os três madeirenses compraram à companhia White Star Line, por sete libras e um xelim (que hoje valeriam perto de 635 euros) cada um, bilhetes de terceira classe para Nova Iorque. Na mesma altura, outro português, José Joaquim de Brito, de 38 anos, já com experiência de imigrante em Inglaterra e um pouco mais abonado pela sua atividade de comerciante, comprou um bilhete de segunda classe por 13 libras (cerca de mil euros, em valores atuais), decidido a tentar a sorte em São Paulo, no Brasil, com escala em Nova Iorque. No dia 10 de abril de 1912, ao meio-dia, os quatro portugueses estavam entre as 2224 pessoas (passageiros e tripulantes) que partiram na viagem inaugural do maior e mais luxuoso navio do mundo: o Titanic . Os corpos dos três portugueses nunca foram resgatados ou, se o foram, ninguém os identificou.

Bernardete ainda mora no sítio do Ledo, no Arco da Calheta, junto à casa que foi do bisavô, Manuel Gonçalves Estanislau. O Titanic , quando marca uma família, marca-a para sempre. A bisneta tem um arquivo familiar, não feito de fotografias antigas, mas de recortes de jornais e revistas. «Não temos nenhuma foto dele. Naquele tempo não havia esse hábito. Mas colecionamos tudo o que saiu sobre o Titanic .»

Manuel tinha 38 anos e já cinco filhos quando resolveu ir para a América - depois faria carta de chamada para a mulher ir ter com ele. «É uma história que ouço desde pequena pela boca da minha mãe e avó. Na catequese havia sempre a imagem do navio como exemplo do castigo de Deus. Dizia-se que o comandante desafiara o poder divino quando afirmou que nem Deus poderia afundar aquele barco. Eu arrepiava-me porque lembrava-me desse bisavô que morreu no desastre e que nunca conheci", diz Bernardete.

Umas casas mais à frente, mora Aldora Gonçalves Estanislau, 72 anos, neta de Manuel. Vive sozinha, esta viúva sem filhos, que teme o futuro e, quando olha para trás, também não encontra conforto nessa herança de família retransmitida oralmente. «Já não me recordo muito... Manuel Gonçalves Estanislau, meu avô, era o pai do meu pai. Ele sempre disse que a mãe dele, Maria Encarnação, a minha avó, chorou muito quando o marido morreu. Ela ficou com cinco filhos e passou muito mal. Engraçado, isso já faz cem anos? Tanto tempo...»

Os portugueses do Titanic

Manuel Gonçalves Estanislau, operário agrícola. Nasceu a 21 de junho de 1874, no lugar da Ladeira e Lamaceiros, na Calheta, Madeira. Morreu com 38 anos. Era casado com Maria Augusta da Encarnação e vivia no Arco da Calheta. Tinha cinco filhos: Maria, Evangelina, Manuel, Conceição e Francisco. O objetivo era ir para a América e chamar a mulher e os filhos depois. A mulher morreu nos anos 1950. Os filhos também já morreram (a última foi Conceição, com cerca de 90 anos, por volta de 1996).

Domingos Fernandes Coelho era solteiro, operário agrícola, tinha nascido a 19 de Junho de 1891 em Torreão, na Ponta do Sol, na Madeira. Tinha oito irmãos. Morreu com 21 anos.

José Neto Jardim morreu também com 21 anos. Era operário agrícola, nascera no lugar de Lombo das Laranjeiras, no concelho da Calheta, Madeira. Casara dois anos antes, a 25 de julho de 1910, na Calheta, com Maria de Sousa Carreira. Tiveram uma filha, Maria Neto Jardim, que nasceu a 6 de julho de 1911, no Lombo do Salão, e morreu na Calheta a 14 de março de 1995, com 83 anos.

Manuel, Domingos e José viajavam juntos na terceira classe do Titanic . Embarcaram em Southampton com destino a Nova Iorque e morreram no naufrágio. Os corpos não foram recuperados ou, se o foram, nunca foram identificados.

José Joaquim de Brito tinha 32 anos, era comerciante e o único português que viajava em segunda classe. Embarcou em Southampton e deu como último lugar de residência Londres. O destino final era São Paulo, no Brasil. Deixou como contacto Fred Duarte, morador em 34 Mulgrave Street, Liverpool.

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