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POR LUÍS SOUSA

EMISSÕES DE CO2 | O perigo eminente de acontecer um enorme «absolutamente nada»

Após a “estranha” derrota que lhe foi imposta por George H. W. Bush nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2000, o ecologista Al Gore realizou por todo o globo mais de um milhar de palestras onde expressava claramente as suas profundas preocupações ambientais.

O objetivo destas comunicações era chamar a atenção para as consequências do aumento da temperatura média do planeta, resultante da libertação para a atmosfera de subprodutos de atividades humanas.
Das mesmas resultou um documentário realizado pelo cineasta David Guggenheim, intitulado “Uma Verdade Inconveniente”, obra cinematográfica de qualidade inquestionável, galardoada com dois Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles.

Com base nesta campanha de consciencialização ambiental, Al Gore veio a ser laureado em 2007 com o prémio Nobel da Paz, conjuntamente com o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), na sequência da emissão nesse ano do seu quarto relatório sobre alterações no clima global.

Este organismo foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com o objetivo de fornecer informações científicas relevantes para o entendimento das mudanças climáticas, seus impactos e possibilidades de adaptação e mitigação.

Em síntese as posições de Al Gore e do IPCC assentam essencialmente numa ideia: o aquecimento global provocado pelas atividades humanas está a provocar graves distorções no sistema climático global.
A produção de gases com efeito de estufa, principalmente dióxido de carbono (CO2) proveniente da queima de combustíveis fósseis, provoca a retenção de uma maior parte do calor terrestre que normalmente seria irradiado para o espaço.

Desta forma dá-se uma subida da temperatura global o que por sua vez implica a subida do nível médio do mar, essencialmente em resultado do derretimento do gelo polar.

As consequências deste cenário serão devastadoras uma vez que as condições de vida no planeta se alterarão de forma radical.

O aumento do nível médio do mar acabará por submergir cidades dos litorais e destruir grandes áreas de terrenos agrícolas em consequência da salinização dos solos. Aumentará a área desértica do planeta provocando o desaparecimento de diversas espécies animais e vegetais. Será recorrente a eclosão de fenómenos atmosféricos extremos, como secas prolongadas, furacões, tufões, ciclones e tempestades.

Em consequência disto registar-se-á um enorme êxodo populacional das zonas que deixarem de ter condições de habitabilidade para outras onde a vida seja possível, aumentando dramaticamente a densidade populacional destas.

A opinião pública mundial encarou o cenário apresentado com elevado sentido de responsabilidade, levando a cabo importantes mudanças nos hábitos de vida menos sustentáveis ambientalmente.

Mas a inversão deste cenário passará obrigatoriamente também por uma reestruturação da economia global baseada no petróleo. Necessariamente o sector dos transportes receberá um forte impacto, uma vez que nas últimas duas décadas foi responsável por cerca de 24% das emissões mundiais com origem em atividades antropogénicas.

O transporte marítimo revela-se bastante eficiente, contribuindo com 15% das emissões do sector, contrastando com rodoviário que é responsável por cerca de 70 %.

Aparentemente as teses “AlGoristas” não oferecem contestação e são a base de uma desejável reforma económica e social à escala global, geradora de inquestionáveis benefícios comuns, na medida em que só essa nova consciência coletiva irá proporcionar de forma sustentável e a longo prazo, condições de vida no Planeta Terra.

No entanto a realidade desmente completamente esta aparência e apresenta factos que ilibam as emissões de CO2 de origem antropogénica ou natural, da culpa de um eventual futuro caos ambiental.

O Planeta Terra só é habitável porque existem na atmosfera gases de efeito de estufa como o CO2. Sem a retenção da energia solar nas camadas baixas da atmosfera, esta seria totalmente refletida para o espaço, deixando o planeta com uma temperatura média de 18º C negativos, e não com os 15º C positivos que se verificam e que proporcionam condições ideais ao desenvolvimento de vida animal e vegetal.

Sendo verdade que um hipotético aumento drástico da concentração de algum dos gases de efeito de estufa na atmosfera teria como consequência previsível um aumento drástico na temperatura média do planeta, é completamente irreal que isso se esteja a passar com o CO2 com origem em atividades humanas.

Apesar do inegável aumento nas emissões de CO2 após a revolução industrial, o homem continua a ser responsável por apenas cerca de 3% do total libertado para atmosfera. O restante tem origens naturais como erupções vulcânicas, incêndios florestais, funções vitais de organismos vivos e a decomposição de animais e plantas mortas.

Assim, se fosse possível de um momento para o outro alterar o modo de vida humano de forma a anular totalmente as emissões de CO2 e esse decréscimo se refletisse imediatamente na composição da atmosfera, subsistiria 97% do total existente.

Esta impotência da raça humana em anular substancialmente as emissões de CO2 não significa que o Planeta Terra esteja condenado. Na realidade os 3% de CO2 “humano” juntamente com os 97% de CO2 “natural” apenas representam 0,0385% da composição total da atmosfera, ou seja 385ppm (partes por milhão). Isto significa que em cada 100.000 partículas de atmosfera menos de 40 são partículas de CO2 e que para encontrar 1 partícula de CO2 são necessárias cerca de 2.600 partículas de atmosfera.

Sendo o CO2 um gás com pouquíssima presença na atmosfera não é crível que o efeito de estufa que provoca se sobreponha ao mesmo efeito causado por exemplo pelo vapor de água, que constitui cerca de 4% da atmosfera e é quase totalmente causado por processos naturais.

Acresce ainda o facto de ser difícil de aceitar que atuando de alguma forma sobre 0,038% da atmosfera e dada a dimensão do sistema climático global, seja possível alterar o seu comportamento de forma minimamente significativa.

Os estudos feitos nesta matéria revelam que existe uma relação entre a concentração de CO2 na atmosfera e a temperatura global. No entanto é muito mais provável que o primeiro seja um subproduto do segundo que o contrário. Isto porque o aumento da temperatura do planeta implica um aumento da temperatura dos oceanos que perdem capacidade de absorção de CO2. Por outro lado o planeta mais quente proporcionará a ocorrência de mais combustões e maior libertação do mesmo gás.

Tudo isto não anula os méritos das novas políticas ambientais, e muito menos a importância do trabalho do IPCC. Este organismo é essencial para a consciencialização dos líderes das nações e de toda a comunidade mundial para a verdadeira dimensão dos problemas ambientais, prevenção dos mesmos e possível mitigação das suas consequências.

O IPCC tem vindo a ser alvo de graves acusações que estabelecem ligações das suas previsões ao mercado de créditos de carbono e à pacificação da opinião pública de alguns países, cujos governos demonstram a intenção de adoptar a energia nuclear em substituição dos combustíveis fósseis.

Apesar destas polémicas, as previsões do IPCC são as melhores disponíveis, mas tal como responsáveis do próprio organismo admitem, os seus modelos de análise climática ainda necessitam de algum desenvolvimento.

Do mesmo modo que um fumador que veste a sua melhor camisa branca tenta a todo o custo evitar que a mesma fique destruída por um orifício de escassos milímetros provocado por um pequena porção de cinza do cigarro incandescente, é de importância vital lutar para que as atividades humanas tenham o menor impacto possível na composição da atmosfera.

Esta contem dos elementos mais vitais à sobrevivência da espécie humana e é a altura certa para assumir a sua defesa intransigente sob pena de num futuro ainda que muito distante, alguém vir a sofrer as consequências da negligência atual.

No entanto é preciso não esquecer que existem países que ainda irão necessitar de recorrer à queima de combustíveis fósseis durante algum tempo, de forma a assegurar um padrão de vida minimamente aceitável à sua população. Um cenário artificial de crise climática impede as economias em expansão de continuarem a ganhar alguma dimensão, uma vez que alguma poluição é inevitável num contexto de desenvolvimento e industrialização.

Pelo que será difícil nestas situações, aceitar a imposição de entraves financeiros ou outros, evocando os perigos das emissões de CO2 para a atmosfera.

Sendo certo que o Planeta Terra carece de cuidados intensivos na sua preservação não é menos verdade que o radicalismo ambiental também fará as suas vítimas.

POR LUÍS SOUSA
 







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