Portos de Portugal
Viagem ao Centro do Mundo

Porto de Viana do Castelo,
Alberga o maior estaleiro do País

Porto de Leixões
Referência na Região Norte do País

Porto de Aveiro
Uma solução Intermodal competitiva

Porto da Figueira da Foz
Promotor da Economia da Região Centro

Porto de Lisboa
Atlantic Meeting Point

Porto de Setúbal
Solução Ibérica na Região de Lisboa

Porto de Sines
Porta do Atlântico

Portos da Madeira
O Paraíso dos Cruzeiros

Portos dos Açores
A sua plataforma no Atlântico

Quem Somos

A APP – Associação dos Portos de Portugal é uma Associação sem fins lucrativos constituída em 1991, com o objectivo de ser o fórum de debate e troca de informações de matérias de interesse comum para os portos e para o transporte marítimo.

Pretende-se que a APP contribua para o desenvolvimento e modernização do Sistema Portuário Nacional, assumindo uma função que esteve subjacente à sua criação: constituir-se como um espaço privilegiado de reflexão e de decisão.



Newsletter

Clique aqui para se registar na newsletter.

Clique aqui para sair da newsletter.

Janela Única Logística



Notícias

2 DE OUTUBRO DE 1947

O encalhe do navio hidrográfico «D. João de Castro» nas águas de Cabo Verde

O que é que uma erupção marinha que teve lugar no final da segunda década do século XVIII entre as ilhas açorianas da Terceira e de S. Miguel tem a ver com o primeiro barco construído no Arsenal de Marinha de Lisboa, em 1941, a ilha de Santo Antão, onde este naufragou (ilha essa situada… nos Açores!!!) e com o fugaz vice-rei da Índia, D. João de Castro? “Tudo!”, respondo eu desde já, antes que o leitor diga… “Nada!”

Vamos aos factos. No último dia do ano de 1720, em que reinava Sua Majestade El-Rei D. João V e já fora lançada a primeira pedra do convento de Mafra, deu-se um tremor de terra nos Açores, mais ou menos no enfiamento entre as ilhas Terceira e S. Miguel. Como sucede muitas vezes em casos semelhantes, também aqui nasceu uma nova ilha, de configuração circular, com cinco quilómetros de diâmetro. Porém, devido à erosão marítima, cerca de ano e meio após, as autoridades (no caso o Conselho de Marinha) eram informadas de que a ilha desaparecera.

Surgiu então a lenda da insula que uns diziam desaparecida e outros afirmavam ainda existir – ou pelo menos um baixio dela resultante. A discussão sobre o assunto iria prosseguir por mais de dois séculos…
Em 1759 fundou-se em Lisboa o Arsenal de Marinha que em 1937 transitou para a margem sul do Tejo, mais concretamente para a região do Alfeite. O primeiro barco ali construído seria o navio hidrográfico «D. João de Castro», lançado ao mar em 1941, que do militar e cientista de grande envergadura, da primeira metade do século XVI, recebeu o nome. Ao que parece, tratava-se de embarcação de grande nível, equipada com o que de mais moderno havia no género, na altura.

Aquela que terá sido a sua primeira grande tarefa, situou-se nos Açores e teve sucesso imediato. Na realidade, a 28 de Julho de 1941, o «D. João de Castro» descobria o que restava da lendária ilha, apenas um baixio, a que, segundo as tradições navais foi dado o nome do vaso de guerra. A plataforma rochosa, localizada a 38º13,5’ de latitude Norte e a 26º38,6 de longitude Oeste, apresentava uma profundidade mínima de 14m.

A última missão do navio, que acabou em tragédia, desenrolou-se nas águas de Cabo Verde, escassos seis anos depois. A 2 de Outubro de 1947 recebia-se um rádio no ministério da Marinha, em Lisboa, em que se dizia que o «D. João de Castro» encalhara e que em princípio estava perdido, no “litoral da ilha de Santo Antão, no arquipélago dos ‘Açores’ na zona de Janela”. Isto dizia-o o «Diário Popular», no dia seguinte, através da caneta de um jornalista pouco ilustrado nas coisas geográficas. A notícia prosseguia, avançando alguns dados sobre o sinistro:

“O desastre verificou-se quando o navio procedia a trabalhos da sua especialidade, que na generalidade são muito arriscados. O barco, comandado pelo capitão-tenente Augusto Vasconcelos de Sousa, técnico distinto e dos mais competentes da nossa Marinha de Guerra, encontrava-se naquele arquipélago em funções de levantamento. Tudo leva a crer que o «D. João de Castro», dada a má situação em que ficou, só com muita felicidade se salvaria. Novas informações recebidas no ministério da Marinha levam à conclusão de que, infelizmente, o navio-motor «D. João de Castro» se encontra perdido, estando a proceder-se ao maior número possível de salvados a bordo. Às 14h15 largou do Tejo, com destino às águas de Cabo Verde, o contratorpedeiro «Vouga», que segue para o local a fim de prestar a necessária assistência. Confirma-se que não há desastres pessoais, estando a sua tripulação recolhida em casas particulares, em S. Vicente, para onde foi conduzida a bordo dos rebocadores que logo seguiram para o local do sinistro. Constituem a tripulação, cerca de 30 oficiais, sargentos e praças.”

Ainda se fizeram diversas tentativas para salvar o «D. João de Castro», mas todas resultaram infrutíferas. Pensou-se em remeter para o Sal um bimotor da TAP com oficiais da Armada especialistas em desencalhes, mas essa ideia foi abandonada a favor do envio de um barco sueco de salvação, o «Fripiof», na altura casualmente fundeado no Tejo, que transportou a bordo o capitão-tenente construtor naval Fernando Araújo. Em face do que ele visse e da sua análise dos factos, assim se decidiria utilizar outros meios, como rebocadores das bases navais francesas de Dacar ou Casablanca. Mas entretanto foi destacado da Guiné o rebocador «Bissau», para colaborar no salvamento. Contudo, este só chegou ao local do encalhe a 11, cerca de nove dias após o sinistro. O «Fripiof» apenas ali arribaria a 14. A 18 ainda se procedia através de bombas ao esgotamento da água que entretanto havia entrado. No dia 19 chegava-se enfim à conclusão de que não havia mais nada a fazer, pois o barco estava definitivamente perdido. Os salvados foram retirados e toda a tripulação regressou sã e salva a Lisboa. Mas acabava ingloriamente a carreira deste navio científico, mais um dos muitos que encontraram o fim dos seus dias nas águas de Cabo Verde.

Como remate deste nosso «Cabverd di meu», mais uma nota de erro do encarregado das reportagens, esta do dia 7 de Outubro: “O comandante, oficiais e toda a restante tripulação têm sido incansáveis e encontram-se bem, com alojamentos na capital da colónia onde desde o seu desembarque lhes dispensaram carinhoso acolhimento.” Ora, como todos sabemos, a capital da colónia era a Praia e não o Mindelo, onde realmente a tripulação se encontrava alojada. Mas se o jornalista continuava a não acertar com a geografia, pelo menos era claro (e decerto exacto) quanto ao tratamento dispensado pelos mindelenses aos marinheiros portugueses. Coisa que se repetiria sempre, por exemplo, com o «Pedro Nunes» (este mais habituado às águas da Guiné) ou o «Comandante Almeida Carvalho», depois rebaptizado como «Cacheu», de boa memória para as gentes das ilhas, em particular para as de S. Vicente.

Reprodução de "Joaquim Saial - Histórias de mar (1) - O encalhe do navio hidrográfico 'D. João de Castro".
 







Artigos relacionados:

  • Inaugurado o Arsenal do Alfeite