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Notícias

CARVALHO RODRIGUES, «PAI» DO SATÉLITE PORTUGUÊS

Agora dedica-se a preservar canoas do Tejo

Há pessoas que a certa altura encontram lugar debaixo do foco mediático tornando-se, por mérito ou não, personagens familiares com quem nos habituamos a cruzar a meio de um zapping. O professor Fernando Carvalho Rodrigues não é uma dessas pessoas.

Passaram quase 17 anos desde que o PoSAT-1 partiu da Guiana Francesa para entrar em órbita e por lá ficar. O carinho com que a novidade foi recebida levou à personificação dessa caixa de metal do tamanho de uma mesa de esplanada: o primeiro satélite português tinha um pai, Fernando Carvalho Rodrigues, figura simpática de laço ao pescoço com voz (e cara) de tenor. O programa espacial português ficou por terra e o tempo de antena do professor encolheu - um facto que em nada está relacionado com a vez em que Rodrigues deslocou o ombro a Júlio Isidro antes de um directo.

"No outro dia estava a andar de carro e ouvi na rádio o Luciano Pavarotti a falar de uma ária que é muito difícil de cantar em ''A Filha do Regimento''. A maioria dos cantores de ópera faz aquilo em falsete mas ele não, cantou a ''plena voce'' e teve uma ovação sensacional. Perguntaram-lhe como é que ele teve coragem para cantar aquilo e ele respondeu: ''Não foi preciso coragem nenhuma. Entrei no palco e disse que ia cantar para mim.'' Com o satélite foi a mesma coisa, fi-lo para mim". O PoSAT é a única canção do programa espacial português e o motivo pelo qual o país ficou a conhecer Carvalho Rodrigues. Com o satélite a entrar na maioridade - e a sair de órbita - é tempo de perguntar o que andaram os dois a fazer estes anos.

"Está lá em cima, com os componentes todos comidos pelas radiações", lembra o professor entre duas garfadas numa fatia de pudim flã. São 11 da manhã. "Deve continuar por lá durante uns 40 anos e depois, ao entrar na atmosfera, vai começar a arder até desaparecer como um fósforo". Chega à mesa uma 7Up servida num copo cheio de gelo - "para queimar a garganta", pede o cliente habitual. Na marina do Parque das Nações toda a gente conhece o professor e o seu rebento. Não o satélite com nome de medicamento, mas a Ana Paula.



Fala dela com orgulho paternal e não lhe encontra defeitos. As virtudes vêm em catadupa: "É o resultado de milhares de anos de aperfeiçoamento", começa por dizer, "não vira, aguenta remoinhos, ondas de lado e pode navegar com apenas 80 cm de água". Ana Paula tem 63 anos, dez toneladas, 27 pés de comprimento e capacidade para dez pessoas. É uma das 67 canoas que resistem no rio e fazem parte da Marinha do Tejo, um pólo vivo do Museu da Marinha, em Lisboa. Para garantir que aquela embarcação de aspecto frágil - que junto aos iates da marina parece o veículo mal estacionado de um viajante no tempo - é segura, aqui vai uma história reconfortante: "Quando as tropas napoleónicas chegaram a Portugal houve uns tipos que se meteram num destes barcos e foram avisar o rei ao Rio de Janeiro." Mais uma: "Aqui há uns dois ou três anos um parceiro fugiu com a amante numa coisa destas para o Brasil." Não interessa se é uma invasão ou uma evasão, as canoas do Tejo chegam ao seu destino.

A Ana Paula, nome da neta do homem que construiu a canoa - "se se muda o nome a um barco ele afunda" -, está nas mãos do professor há dez anos e é um dos motivos pelos quais se tornou passageiro frequente na rota Bruxelas-Lisboa. "Aquilo em Bruxelas tem uma grande vantagem: um gajo está no escritório e não há sítio onde uma pessoa possa estar melhor. Lá fora é só chuva e chatice." Segue-se uma gargalhada.

VEJA A REPORTAGEM DA SIC, SOBRE ESTE MESMO ASSUNTO (PARTE I)

Barco abençoado

De manhã, no leito do rio Tejo, mesmo em frente à Praça do Comércio, é só calor e nenhuma chatice. "Ó João, ó João, passe aí pelo Cais das Colunas outra vez que é para as pessoas verem e tirarem fotografias." Outra gargalhada. João vai ao leme da Ana Paula e usa o motor para manobrar a embarcação junto à costa. "É batota isto do motor mas tive de pôr um depois de perder três aviões por falta de vento." A canoa já esteve ali, "mesmo na primeira fila", enquanto Bento XVI discursava para uma multidão. Antes, nos primeiros minutos que navegámos, Carvalho Rodrigues exclamara ao olhar em volta: "Isto é a prova viva de que Deus existe, meus caros, depois pronto, há uns tipos que têm de ir estudar Teologia para ter a certeza". Chegou a hora de perguntar se a sua fé não entra em conflito com a sua ciência. "Comigo nunca houve conflito coisa nenhuma, Deus é outra classe de vida que a ciência não pode tentar compreender com contas."

A viagem do Parque das Nações à doca de Belém demora cerca de duas horas, sempre à vela. Carvalho Rodrigues tem discussões intermináveis sobre ventos, marés e rumos com os arrais João e Tavares. Interrompe-as para contar histórias da cidade e do rio, duas coisas que conhece como ninguém. "Aqui isto era tudo praia, costumava vir para aqui brincar quando era miúdo." Nascido na Guarda em 1947 (tem a mesma idade da Ana Paula), Carvalho Rodrigues cresceu à beira-rio na zona de Chelas. "Lembro-me da minha mãe me mandar ao dentista e eu demorava horas a ir e vir, a passear junto ao rio. Quando voltava dizia ''fui o último a ser atendido''. Ela nunca desconfiou".

Olha para as colinas de Lisboa como quem lê um livro, desvendando histórias atrás de histórias, numa espécie de guia turístico à distância - "ali por detrás daquelas casas há um restaurante fantástico (...) e ali ao pé daquelas árvores tem-se uma vista fabulosa".

A Ana Paula fica atracada no posto de abastecimento da Doca de Belém e durante uns filetes com arroz de marisco ouvem--se histórias dos Jerónimos. "Antes disto das canoas passava os fins-de-semana a ler monumentos. A viajar com pessoas que conhecem a nossa história".

Carvalho Rodrigues é hoje conselheiro da NATO na capital belga (os emails que envia têm sempre "NATO UNCLASSIFIED" escrito a vermelho) e coordenador de investigação no IADE, escola de artes visuais em Lisboa. Durante os cinco dias de uma semana de trabalho divide-se entre investigação em terrorismo e design. Será isto um sintoma de esquizofrenia intelectual? "O caro amigo já foi ao meu site?", dispara sem dar tempo para responder, "é uma confusão dos diabos e eu vou explicar-lhe porquê: nunca consigo estar só a fazer uma coisa."

Homem dos sete ofícios

Ou mais. Resumindo rapidamente: Rodrigues é licenciado em Física, doutorado em Engenharia Electrónica, trabalhou em óptica, aparelhos de visão nocturna, lasers, medicina ("olhe que tenho o prémio Pfeizer") e engenharia aeroespacial. Para o pai do PoSAT e da Ana Paula, o que está a dar agora é o estudo da teoria da informação. "É uma coisa fantástica sobretudo porque ninguém sabe o que é. Mas é essa a beleza da ciência, uma pessoa não se importa de não saber o que são as coisas desde que as saiba medir - é assim com o tempo ou a temperatura."

Na enumeração do parágrafo anterior faltou a ópera. Consta que faz uma imitação notável de Pavarotti: "Isso é um gozo do caraças, tenho histórias do outro mundo." Tem mesmo. "Em Nova Iorque, se o taxista era italiano eu nunca pagava. Outra vez, fui a uma loja de discos junto ao Radio Music Hall e perguntei pelos discos de Pavarotti. O porteiro, muito aperaltado, respondeu com um grande sorriso, ''os seus discos, meu senhor, estão no rés-do-chão''".

Depois de uma demorada discussão sobre a melhor maneira de voltar à marina - o norte puro, o vento da cidade, bolinar para aqui e para ali - segue-se uma breve descrição da importância de Casabranca na luta anti-submarina. E das paisagens ao largo de Alcochete, onde um dia combinou ir lançar foguetes com Júlio Isidro. "Disse-lhe que tratava das autorizações do Campo de Tiro e terminei com uma palmada no ombro que lhe deslocou os ossos. Ficou estendido no chão a gritar de dor."

FONTE: ionline

VEJA A REPORTAGEM DA SIC, SOBRE ESTE MESMO ASSUNTO (PARTE II)
 







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