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Notícias

SINES, CAVALEIRO E SÃO VICENTE

Faróis do cabo do mundo

Homenagem a três das silenciosas sentinelas de três cabos do fim do sudoeste: Sines, Cavaleiro (ou Sardão) e São Vicente.

São elos de ligação entre a terra e o mar. Companheiros luminosos de pescadores, marinheiros, navegadores de recreio, contrabandistas, habituámos-nos a ver os seus relâmpagos tentarem sobrepor-se às tempestades da costa sudoeste. Ali há terra - promessa de abrigo, perigo de encalhe. Quem faz vida do mar conhece os seus códigos - luz fixa, relâmpagos ou cintilação têm significados precisos.

Os faróis, simples fogueiras numa ponta de terra, ou altas torres com ópticas e sistemas codificados, sempre foram referências indispensáveis quando o navegante se aproxima de costa, e constituem também, um símbolo da ajuda que "as gentes" de terra proporcionam aos homens do mar. Os seus feixes luminosos transmitem uma silenciosa informação ao navegante que, estando de quarto durante a noite na ponte de um navio, observa os relâmpagos longos e curtos que lhe permitem reconhecer cada um dos faróis individualmente. Estes raios de luz estendem-se para além das fronteiras e constituem uma rede de sinalização marítima que não tem princípio nem fim. Todos os países têm contribuído dentro das suas possibilidades e limitações para o estabelecimento desta rede ao longo das suas costas, com um mesmo objectivo: proporcionar segurança aos navegantes. Apesar de actualmente existirem outros sistemas para apoiar o navegante com este fim, os faróis conservam todo o seu valor simbólico.

As primeiras formas de sinalização marítima luminosa que o homem utilizou foram as fogueiras. Estas eram utilizadas para assinalae perigos, ou a praia que constituía o porto seguro. Naturalmente, os sistemas iluminantes utilizados em sinalização marítima evoluíram a par da iluminação pública, tendo passado pelas tochas, velas, lamparinas de azeite, candeeiros de torcidas a azeite e mais tarde petróleo, etc.. A necessidade de se atingirem maiores distâncias obrigou à utilização de fontes de luz mais potentes. Os candeeiros de torcidas chegaram a ter seis torcidas concêntricas. Chegou-se ao limite do poder iluminante de uma fonte de luz isolada, pelo que, o engenho do homem tinha que solucionar o problema do alcance dos faróis.

A primeira ideia que se aplicou consistiu em colocar um espelho reflector por trás da luz (1532). Em 1757 são feitos ensaios por Norberg, que coloca um reflector parabólico por trás de uma lamparina, com muito bons resultados em alcance, passando a colocar-se várias lamparinas para cobrir todo o horizonte. Houve faróis com 16 candeeiros. Em 1752 foram utilizadas, pela primeira vez, lentes para refractar os raios luminosos provenientes de uma fonte, concentrando-os num feixe. Tratava-se de uma lente plano-convexa colocada à frente de um candeeiro. Mas a fuligem dos candeeiros e a absorção nas grandes lentes tornava os sistemas pouco eficientes. O peso maciço de vidro também dificultava a sua manobra.

Em 1819, Augustin Fresnel desenvolveu desenvolveu os aparelhos lenticulares constituídos por lentes prismáticas concênctricas, formando um conjunto único que suprimia a aberração, a absorção, e a maior parte do volume do vidro. Os raios luminosos que irradiam da fonte luminosa, são refractados nos prismas, sendo concentrados num potente feixe de luz. O primeiro farol a receber um aparelho lenticular giratório de Fresnel , foi o de Courdouan, França, em 1823.

A potência luminosa de uma óptica, para um mesmo candeeiro, depende da superfície do painel que produz o feixe. Assim, para se aumentar esta potência, ou se reduz o número de feixes (permitindo acomodar painéis maiores) ou se aumenta a distância focal, isto é, o raio interior da óptica. O aumento da distância focal levou à construção de ópticas cada vez maiores, até ao limite de 1330 milímetros (2,66 metros de diâmetro), as hiper-radiantes. Estas ópticas, de cristal, eram extremamente onerosas, não só pelo seu próprio valor, mas também pelas necessidades estruturais da torre e da lanterna.

Em Portugal, o serviço de faróis começou por estar disperso por confrarias de marítimos e conventos, mas foi em 1758, por alvará pombalino que os faróis passaram a ser uma organização oficial, atribuída à Junta do Comércio. Este alvará manda contruir seis faróis, sendo o primeiro o de Nossa Senhora da Guia (1761) e só em 1835, já na dependência do Ministério da Fazenda, é autorizada a construção de mais cinco, entre eles o de S. Vicente que veio a concretizar-se em 1846. O serviço passa pelas Obras Públicas, Pela Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis e, finalmente em 1892 passa para a Marinha, sendo em 1927 entregue à Direcção de faróis, órgão da Direcção Geral da Autoridade Marítima.

Os aparelhos lenticulares de Fresnel começaram a ser aplicados em Portugal em 1851, no Farol do Cabo de Santa Maria, tendo sido aplicados dois hiper-radiantes em 1897 e 1908, respectivamente nos Faróis da Berlenga e do Cabo de S. Vicente, mantendo-se apenas este último em funcionamento. Um inquérito realizado em 2000 por um investigador da história dos faróis, aponta para a existência de apenas nove aparelhos ópticos hiper-radiantes a funcionar em todo o mundo. Recentemente, numa acção de cooperação com o serviço de faróis de Moçambique, constatou-se que o Farol do Bazaruto existe um aparelho hiper-radiante desde 1913.

Há indícios de que no Cabo S. Vicente existia já em 1520, uma luz proveniente de um farol muito rudimentar, numa torre do convento fundado por D. Francisco Coutinho. Porém, em 1587, o corsário Francis Drake atacou o convento com tal violência que o farol esteve apagado até 1606, ano em que D. Filipe II o mandou reconstruir.

O actual Farol de D. Fernando, mandado construir em 1835 por D. Maria II, foi estabelecido no mesmo local, em 1846. Equipado com 16 candeeiros de Argand, queimando azeite, com reflectores parabólicos de cobre galvanizado a prata. Em 1808, sobreu alterações estruturais profundas e recebeu um aparelho lenticular Fresnel hiper-radiante, adquirido em 1902 por 40 contos de réis à firma BTT de Paris, com três painéis ópticos de 8 metros quadrados, uma altura de 3,58 m, e flutuando em 313 kg de mercúrio. O sistema iluminante era constituído por um candeeiro de nível constante, com cinco torcidas. Foi electrificado em 1926 e apresenta um alcance de 32 milhas para uma visibilidade meteorológica de 10 milhas.

Actualmente aproveitando as obras de conservação, a Marinha vai instalar junto do Farol um pólo museológico. A sua dimensão, a beleza de todo o conjunto e a importância estratégica do local torna o Farol do Cabo de S. Vicente uma peça de grande valor cultural da Marinha e de visita obrigatória.

FONTE: Texto de Luís Proença Mendes, CTEN, in Revista da Armada







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