Portos de Portugal
Viagem ao Centro do Mundo

Porto de Viana do Castelo,
Alberga o maior estaleiro do País

Porto de Leixões
Referência na Região Norte do País

Porto de Aveiro
Uma solução Intermodal competitiva

Porto da Figueira da Foz
Promotor da Economia da Região Centro

Porto de Lisboa
Atlantic Meeting Point

Porto de Setúbal
Solução Ibérica na Região de Lisboa

Porto de Sines
Porta do Atlântico

Portos da Madeira
O Paraíso dos Cruzeiros

Portos dos Açores
A sua plataforma no Atlântico

Quem Somos

A APP – Associação dos Portos de Portugal é uma Associação sem fins lucrativos constituída em 1991, com o objectivo de ser o fórum de debate e troca de informações de matérias de interesse comum para os portos e para o transporte marítimo.

Pretende-se que a APP contribua para o desenvolvimento e modernização do Sistema Portuário Nacional, assumindo uma função que esteve subjacente à sua criação: constituir-se como um espaço privilegiado de reflexão e de decisão.



Newsletter

Clique aqui para se registar na newsletter.

Clique aqui para sair da newsletter.

Janela Única Logística



Notícias

JORNAL «A VOZ DA JUSTIÇA», FIGUEIRA DA FOZ, 21.12.1935

Em 1935 o petróleo já era «o sangue do mundo»

A luta para o predomínio dos jazigos petrolíferos nos nossos dias é qualquer coisa de épico e ao mesmo tempo angustioso.

Em 1935 o petróleo é o sangue do mundo. Lá para o ano 2000 é possível que todos os poços se tenham esgotado. O facto não terá então importância, porque a ciência permite desde já encontrar sucedâneos para tudo. Mas de momento, quem possuir mais petróleo e sobretudo quasi todo o petróleo dominará o mundo. Senão vejamos: nos países pobres e não electrificados, como sucede em quasi toda a Ásia, é a iluminação; nos países ricos são os aviões, os automóveis, os camiões, os motores de explosão e a óleos pesados e até a lubrificação das máquinas a vapor. Isto em tempo de paz. Em tempo de guerra são mais os tanks e todas as unidades motorizadas.

Um país privado de petróleo dum momento para o outro ficava pior do que no tempo dos carros de bois, porque os bois e as muares não se criam do pé para a mão.

Isto explica também porque a sanção do petróleo só muito dificilmente será aplicada à Itália.

O petróleo existe sob a crosta terrestre em bolsas ou toalhas, mais ou menos extensas, que outrora se formaram em certas regiões e em certas épocas geológicas pela acção de gases, sobre depósitos carboníferos. Estes gases, em que o hidrogénio representava o principal, actuavam em circunstâncias especiais de pressão e temperatura hoje inexistentes.

No princípio do século passado, o petróleo não servia para nada quando o pai do actual «Rei do Petróleo», Rockefeller, se lembrou de o vender para o tratamento de certas doenças. Não se pode dizer que esta ideia não fosse luminosa, porque menos de meio século depois formava-se a primeira grande companhia americana hoje universalmente conhecida sob o nome de Standard Oil. Ao actual Rockefeller se deve a invenção magistral dos pipe-lines, longas tubagens que, dos poços e através de quilómetros, conduzem o petróleo bruto aos portos de embarque. Actualmente a Standard Oil possui 15.000 quilómetros e tem o seu activo repartido por 13 filiais. O poder desta companhia alia-se ao do Governo americano, donde resulta por vezes, no choque de interesses mundiais, um iminente perigo de guerra. Mas nem sempre assim sucede e a morte misteriosa do Presidente Harding parece indicar que nem sempre os Governos podem contrariar os desejos dos petroleiros.

Enquanto a Standard se ia desenvolvendo na América de Leste, a companhia inglesa Shell Transport concluía um acordo com a companhia holandesa Royal Dutch e formavam o segundo grande grupo mundial. A Royal Dutch Shell é dirigida por um homem da envergadura de John Rockefeller, Henry Deterding, que soube assenhorear-se pouco a pouco dos mais importantes jazigos de petróleo existentes no mundo e por tal forma que, se a Standard Oil produz hoje a maior quantidade, as maiores reservas estão de posse da Royal Dutch.

Um terceiro grande grupo é formado pela Anglo-Persian Oil [futura BP], onde o Governo inglês possui grandes capitais.

O maior porto exportador do mundo é Nova Iorque. Filadélfia possui as mais importantes refinações.

O México tornou-se o segundo país exportador e a guerra civil permanente neste país não atesta senão a luta entre a Standard e a Royal Dutch para a posse dos poços mais ricos. Neste país existem três grandes companhias: a Mexican Petroleum, a Standard Oil e a Mexican Eagle, filial de Deterding.

A rica República da Venezuela, paraíso dos forçados evadidos da Guiana, é chefiada vitaliciamente pelo ditador Gomez, cuja morte os jornais agora noticiaram. Pois este Gomez era um homem de Deterding. Venezuela é petróleo e só petróleo. A Guatemala e Sandino são um capítulo sangrento da Standard Oil.

A guerra do Chaco entre a Bolívia e o Paraguai é a continuação da luta do petróleo mais ao sul.

O assassinato do cônsul americano em Teheran, capital da Pérsia, há anos ocorrido, é uma fase da luta.

O desaparecimento de Rudolfo Diesel de bordo do vapor que o conduzia de Ostende a Dover deve ser imputado à mesma causa.

A Inglaterra não desiste de impedir que a América seja mais poderosa. Os navios movidos ontem a hulha são-no hoje a mazut. A posse recente do Iraque é a continuação da luta que parece, pelas reservas, favorecer o Império Britânico.

O terceiro mercado é o caucasiano, hoje inteiramente nas mãos do Governo soviético. Bakon é o principal centro, Batoum o principal porto.

Em matéria de intrigas secretas, os russos não têm ficado atrás dos outros grupos. A eles e ao seu agente Frank Hennings parece dever-se o célebre incêndio do poço romeno Moreni, que durou dois anos.

O mercado romeno, dos Cárpatos da Transilvânia, é o mais importante da Europa.

Na Ásia a Pérsia é o principal produtor. Os seus jazigos são dos mais ricos. Nas Índias Neerlandesas, Java, Sumatra, Madoura, Timor e Bornéu são os principais núcleos da Royal Dutch, que possui em Batávia e Surabaia grandes refinações.

Mas os mais formidáveis julga-se que são os ora descobertos na Mesopotâmia e conhecidos pelo nome de Iraque. A sua importância parece tão grande que a Inglaterra viu-se forçada a deslocar a sua posição do Mediterrâneo, fazendo de Haifa a sua principal base.

A síntese do petróleo é assunto averiguado. O processo do alemão Bergins permite hoje à I. G. Farbenindustrie fabricar doses enormes para as quais as poderosas companhias petrolíferas, desejosas de assegurar o futuro, concorreram com vastos capitais.

FONTE
 







Artigos relacionados:

  • Canadianos investem 49 milhões para descobrir petróleo