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Acasos e desgraças da primeira volta ao mundo

Meio milénio se cumpre, agora, sobre a partida de Fernão de Magalhães, no comando da armada que, ao serviço de Castela, saiu para o que seria a primeira volta ao mundo da história, completada apenas por um de cinco navios. Um marco na história da humanidade, a demonstração de que os continentes estavam cercados por água e não os mares por terra e, sobretudo, um acaso que não estava planeado.

te para um dia chegar vindo de Oriente (e não chegou, pois foi morto durante a viagem), do mesmo modo que, por exemplo, Vasco da Gama não “descobriu o caminho marítimo para a Índia” em 1498, atendendo a que, antes de ir, já sabia muito bem para onde e por onde ia. E isso não joga em desfavor da viagem em redor da qual Camões construiu “Os Lusíadas”. Pelo contrário, diz de como a estratégia portuguesa que essa expedição materializou estava muito bem programada.

Também nada do que atrás dissemos retira importância à viagem liderada por Magalhães e, depois, por Juan Sebastián Elcano, que decorreu entre 1519 e 1522. Foi, de facto, a primeira vez que se deu a volta ao mundo e, como notam especialistas, daí resultou a perspetiva nova de que era a água e não a terra que tudo ligava. E isso deveu-se ao que foi claramente novo, em termos de descoberta e de exploração, nessa longa campanha: a passagem entre o Atlântico e o Pacífico, através do que veio a ficar conhecido como o Estreito de Magalhães, e a travessia do Pacífico propriamente dito. Por outras palavras, já se sabia que do lado de lá da América estava o Oceano Pacífico, mas faltava descobrir que se podia lá chegar de barco, a partir do Atlântico. E o sucesso da expedição de Magalhães – que não o teve – dependia disso.
As limitações de Tordesilhas
Fernão de Magalhães fez a viagem que lhe deu fama – e que o matou – ao serviço do imperador Carlos V (Carlos I de Espanha), e era D. Manuel I quem reinava em Lisboa. Contudo, para perceber essa expedição teremos de recuar ao tempo em que o Príncipe Perfeito comandava os destinos de Portugal. D. João II, o grande estratego da expansão portuguesa (em conjunto com quantos o rodeavam, claro, que isto de dizer que os reis fizeram e aconteceram tudo sozinhos é uma liberdade discursiva), jogara a sua maior cartada em 1494, ao celebrar com os Reis Católicos o Tratado de Tordesilhas, esse mesmo que dividiu o mundo – as terras “descobertas e por descobrir” – entre as potências marítimas do tempo, Portugal e Castela.

Em 1488, Bartolomeu Dias passara o Cabo da Boa Esperança, último obstáculo físico ao estabelecimento da rota marítima que colocaria o reino de Portugal no centro do comércio de especiarias para a Europa. Em paralelo à exploração da costa ocidental de África, os portugueses iam adquirindo conhecimento do que era o Índico – logo, de como se chegaria à Índia –, designadamente através das missões de espionagem levadas a cabo, por terra, por Afonso de Paiva e Pero da Covilhã, a partir de 1487. Tudo isso fazia parte de uma estratégia cujo destino era tão-somente a Índia, isto é, a construção de uma alternativa ao tráfico muçulmano das especiarias, que chegavam à Europa pelo Levante e pelo espaço mediterrânico. Todavia, outros obstáculos houve, designadamente técnicos, pelo que dez anos passaram entre as viagens de Bartolomeu Dias e de Vasco Da Gama. Ir à Índia não significava descobrir a Índia, pois era bem sabido onde ficava e o que lá havia, mas conseguir fazê-lo em condições rentáveis: ir, negociar e regressar com carga suficiente para tornar a expedição lucrativa. Tal não podia ser feito com as pequenas caravelas que antes havia, pelo que a partida para a Índia só fez sentido depois de se desenvolver aquele que seria o navio-emblema da expansão portuguesa, a nau. Mas outras coisas sucederam, pelo meio, e com elas havia que lidar.

Falamos, claro, da viagem de Cristóvão Colombo, que em 1492 queria chegar à Índia (sempre a Índia) rumando a ocidente, tendo “tropeçado” no que veio a ser conhecido como América. Colombo fê-lo ao serviço dos reis católicos, pois a quimérica empresa que propunha não fazia sentido para Portugal, que afincadamente (e dentro do secretismo possível) preparava o estabelecimento da rota que veio a ser inaugurada por Vasco da Gama. Ora, a viagem de Colombo veio introduzir um elemento novo, aumentando as pretensões castelhanas. Não é de mais repeti-lo, como veremos, sempre com as especiarias no horizonte. As Antilhas eram as Índias, depois as Índias Ocidentais, não havia ainda a perspetiva nítida de um novo mundo. Especula-se, porém, que navegadores ao serviço da coroa portuguesa já haveriam vislumbrado o que veio a ser o Brasil quando se negociou o tratado, isto é, seis anos antes da viagem de Pedro Álvares Cabral, o que levou a que a parte portuguesa conseguisse deslocar para ocidente o meridiano que separava as esferas de influência, com isso legitimando, em 1500, a posse das terras de Vera Cruz. Mas nada disso é mais do que especulação.

A viagem de Magalhães surge duas décadas mais tarde, e o objetivo era o mesmo de sempre: as especiarias.

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