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CTE. ARMANDO DIAS CORREIA

A Internet no mar

Comemora-se nesta sexta-feira, dia 17 de maio, o Dia Mundial da Internet. Esta rede mudou a nossa vida em terra firme e, muito mais, no mar.

Até ao início do século XX, os navios andavam no mar às ordens do comandante, que partia com instruções que tinha de interpretar devidamente face às circunstâncias que ia enfrentando. Quem não viu o filme “Master and Commander: The Far Side of the World”, ou leu o livro “A viagem do Beagle”, para perceber o que quero dizer.

Na ligação dos navios ao mundo terreno há, penso eu, três etapas marcantes. A primeira aconteceu no início do século passado quando se inventou a telegrafia sem fios. Em Portugal, foi em 1902, na Baia de Cascais, que o cruzador “D. Carlos I” realizou as primeiras experiências de comunicação sem fios. No mar, um comandante passava a poder enviar informações e a receber instruções durante a missão.

Muitas evoluções houve até à criação, em 1958, do Centro de Comunicações da Armada, altura em que se passou a divulgar as previsões meteorológicas, a emitir sinal horário e a assegurar cobertura radiogoniométrica e radiofarolagem, que eram facilidades essenciais para a salvaguarda da vida humana no mar.

Nos anos 50 do século passado começou a odisseia dos satélites. Em meados dos anos 60 já havia comunicações telefónicas por satélite (os EARLY BIRD), embora os serviços comerciais só se tenham expandido em meados dos anos 80.

Em paralelo, a rede Internet foi ganhando forma e vida. Tal como aconteceu com os satélites, também a Internet nasceu com um objetivo militar até se tornar um fenómeno da vida civil. São dois bons exemplos do investimento em soluções militares, que transformaram a nossa vida civil.

Em 1991, Tim Berners-Lee inventou o HTML e em 1993 Marc Lowell Andreessen desenvolveu o primeiro browser Mosaic. Estava encontrada a fórmula para o sucesso da Internet, que viria a transformar a nossa sociedade. O browser tornou-se na janela para o mundo e o acesso à rede significou a desmaterialização do espaço. Na segunda metade dos anos 90 já havia ligações de dados via satélite que permitiam o acesso a redes como a Internet. Penso que podemos considerar que se iniciou assim uma segunda etapa na ligação dos navios ao mundo, passavam a ter acesso a redes de dados, voz e imagem. Em tempo real, um comandante no mar podia expor uma situação e articular o melhor empenhamento com o seu comando superior.

Os navios, militares e civis, começavam também a beneficiar de um novo sistema de posicionamento global, popularmente conhecido por GPS (acrónimo do original inglês Global Positioning System, ou do português "geo-posicionamento por satélite"). Este sistema militar edificado pelos Estados Unidos da América, com o nome de NAVSTAR GPS, atingiu a sua total operacionalidade em 1995.

Em Portugal, em 1994, foi instalado o primeiro sistema de comunicações via satélite nas fragatas da classe “Vasco da Gama”. Planeava-se, nessa altura, o primeiro comando português da SNFL (1996) (Força Naval da NATO). Os requisitos da NATO na área dos sistemas de comunicação e informação exigiam, entre outras coisas, a introdução, pela primeira vez na Marinha, de equipamentos de receção e transmissão via satélite em SHF (Super high frequency) para permitir a troca de informação com altos débitos binários. Era também requisito a utilização de um sistema de informação de comando e controlo, conhecido por Maritime Command and Control Information System (MCCIS). Este sistema permitia ao comandante no mar o acesso a informação disponibilizada pelo seu comando operacional localizado em terra. Mudava definitivamente o paradigma, um navio militar no mar passava a ser um nó ativo de uma rede complexa e viva. Um comandante de um navio passava a ter mais informação para decidir melhor, de forma mais habilitada.

Os navios de guerra ganharam o acesso a redes classificadas, a redes de voz, a Intranets e à Internet. Os navios mercantes passaram a dispor de idênticos serviços, normalmente o acesso à Internet e às Intranets dos armadores, através de redes virtuais privadas suportadas nas ligações de dados por satélite.

Hoje, já estamos num terceiro patamar desta evolução. Nos novos navios militares, os sensores e as armas passaram a ser também eles, por si, nós de uma rede muito mais complexa e inteligente, que permite panoramas táticos compreensivos em larga escala geográfica. As guarnições dos navios têm hoje a possibilidade de manter o contacto com a família durante a missão no mar. Quando a situação tática permite, até podem ter acesso à Internet, nomeadamente ao correio eletrónico e a serviços de voz. Também podem, mediante regras de confidencialidade que têm de cumprir, utilizar ferramentas Web 2.0, nomeadamente redes sociais. Longe vai o tempo em que apenas tínhamos a possibilidade de receber e enviar cartas nos portos.

Os navios mercantes também passaram a ter a necessidade de ligações satélite permanentes ou estabelecidas a pedido. Elas são fundamentais para a segurança da navegação, para a otimização da utilização da plataforma e para a preparação das escalas nos portos. Bem cedo os agentes logísticos recebem a informação das escalas dos navios e introduzem os dados nas Janelas Únicas Portuárias, minimizando os tempos de permanência nos portos. As tripulações destes navios retemperam as forças estabelecendo frequentes contactos com as famílias. Há mesmo casos, que eu conheço, de pessoas que conseguem continuar a estudar a bordo de navios e de plataformas de petróleo graças à Internet por satélite e às modernas plataformas de e-learning e b-learning.

O mundo continua do mesmo tamanho, o mau tempo sente-se da mesma forma, um navio continua a ter de percorrer as mesmas milhas entre dois portos, mas com a Internet a bordo os marinheiros ganharam a liberdade da desmaterialização do seu avatar.

POR: Armando José Dias Correia
Capitão-de-fragata
Comandante do NRP Bérrio


 







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